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Primeiramente, é necessário contextualizar os acontecimentos de março. No mês passado, com o desmantelar do time de CS:GO da Rogue, um lugar ficou vago na ESL Pro League S9.

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Graças a tal vaga, já era especulado se a FURIA (campeã invicta na última MDL) teria a oportunidade de conseguir o lugar entre os melhores das Américas. Porém, o torneio da ESL chocaria horários com a DreamHack Rio, no qual a FURIA é uma das favoritas ao título e possui grande torcida a sua espera. Mas foi apenas nesta última semana que se desenrolou para o público a decisão que dividiria torcedores e amantes do esport.

Para a surpresa (e alegria) de muitos, a FURIA, que vem em grande fase, optou por recusar o convite da ESL e confirmou sua presença no evento do Rio de Janeiro. Grande parte da comunidade achou a decisão correta e que demonstra profissionalismo e carinho pelos torcedores que iriam ao torneio para prestigiá-los. O que veio a surpreender (e neste caso irritar muitos torcedores) foi que o time chamado com a recusa da FURIA foi outro brasileiro, de muito carinho da torcida amarela também, o elenco da Luminosity Gaming.

Ao contrário dos calouros da FURIA, os veteranos da LG não mediram esforços e foram às redes sociais informar aos fãs que eles não participariam mais da DH Rio. Para muitos torcedores, esta foi uma decisão corporativa e demonstra que os brasileiros da LG não se importam mais com a sua torcida.

Este artigo procura trabalhar contrariamente a esta tese popular.

“LG errou ao aceitar o pedido da ESL e abandonou a torcida brasileira.”

Errado. A priori, temos que analisar a organização na qual os gêmeos Teles e demais ícones do CS:GO brasileiro pertencem. A LG, ao contrario da noção popular, é uma grande organização americana, com tradição em quase todos os campos dos esports.

Estamos falando tanto de mobile games até o maior streamer da Twitch, Ninja, já passou pela organização. Com isto em mente, em um aspecto corporativo e organizacional, a LG nunca recusaria a oportunidade de participar em um torneio como a ESL Pro League, pois é este o evento que atrairia a maior gama de patrocinadores e torcedores norte-americanos.

A posteriori, irei tratar dos protagonistas do time de CS:GO, os brasileiros. O elenco vem de mal a pior nos últimos campeonatos e partidas. Na MDL, não demonstraram nem metade do seu potencial e estavam cotados para não chegarem nem nos playoffs da DH Rio. Mesmo com jogadores de renome como Boltz, Steel e os gêmeos LUCAS1 e HEN1, este quinteto está longe de alegrar a torcida brasileira.

Com isto em mente, a oportunidade de um lugar na ESL Pro League é a maior chance que este grupo tem de voltar a jogar no nível que anteriormente apresentaram. Caso o grupo fosse se encontrar com a torcida verde-amarela no Rio, apenas pelo amor e pelo carinho com o Brasil, seria “devorado” pelos demais participantes e sua participação no torneio não influenciaria em nada na evolução do time. É possível até que desmoralizasse ainda mais o grupo, causando rupturas e desavenças internas.

Com as informações acima, acredito que a Luminosity tomou a decisão correta ao não participar da DH Rio e aceitar o convite da ESL. É um time que não tem motivo algum para participar de um evento no solo brasileiro, tendo em vista o seu atual desempenho, e que jogaria fora a oportunidade de entrar na maior liga americana sem esforço algum.

É uma grande perda para o Rio de Janeiro, mas é uma grande decisão para os brasileiros, para a organização e para os torcedores da equipe.

A FURIA errou ao recusar o convite da ESL

O motivo da frase acima não estar entre aspas é por ser a minha opinião acerca da decisão da equipe, apesar dela ser muito mais complexa do que a situação da LG.

Em um âmbito competitivo e de evolução da equipe no ranking mundial, a FURIA errou feio em recusar a oportunidade de jogar contra os “cachorros grandes” das Américas. O motivo disto é que, ao contrário de participar de um torneio de renome e grande equipes top 5, “Kscerato” e seus companheiros optaram por manter o compromisso com sua torcida e participar de um torneio de muito menor e com diversos problemas financeiros a sua volta.

Esta decisão é complexa pela seguinte situação, a FURIA é uma das protagonistas do evento no Rio e é cotada como uma das possíveis vitoriosas em solo verde-amarelo. Logo, o único motivo que este redator acredita que faz sentido eles participarem da DH Rio seria para ganhá-la e nada menos. Esta mentalidade pode ser o diferencial daqui para frente, pois sejam eles os futuros campeões do torneio, a recusa da ESL foi a melhor decisão. Caso eles não consigam, é um possível arrependimento para a equipe e sua organização.

Mas isto é considerando apenas o âmbito competitivo e levando em consideração o ranking mundial de CS:GO.

No aspecto da marca FURIA, fortalecimento da comunidade e credibilidade da organização, ir à DH Rio foi a melhor decisão e isto trará frutos melhores ao longo prazo. A FURIA hoje é considerada a segunda melhor equipe brasileira. A marca e a organização são de origem brasileira. Com isto em mente, a participação de um torneio no Brasil, as parcerias e aliados que eles constroem ao recusar um organizador como a ESL e priorizar o Brasil e a DreamHack, serão muito importantes daqui para frente.

Listarei abaixo exemplos que reforçam a ideia de que foi uma grande decisão para a marca FURIA.

A opção pelo Rio de Janeiro coloca a FURIA nos holofotes de todas as demais DH Opens que acontecem no mundo todo. Esta parceria e voto de confiança da organização canarinha com os organizadores do evento pode vir a trazer ainda mais aparições da equipe internacionalmente, que anteriormente apenas teve participações nos EUA. Podem surgir convites para diversos torneios na Europa, tendo em vista que grande parte das DreamHacks acontecem lá.

Outro aspecto importantíssimo é o voto de confiança com os fãs. Ao participar da DH Rio, os fãs brasileiros, que já em grande parte apoiavam o elenco novato, irão sentir ainda mais gratidão pelo ato de “sacrifício” feito pela FURIA. Não é apenas ser brasileiro, mas demonstrar que não importa onde eles tiverem, eles vestem a camisa do Brasil, por uma organização brasileira, e são movidos pelo amor de sua torcida. Até mesmo a amada MIBR, que utiliza hoje as cores verde-amarela, seria “menos” brasileira comparada as características listada acima, tendo em vista que a Immortals, dona da marca, é uma organização norte-americana.

Por último, mostro onde a minha opinião considera que o balanço de decisões da FURIA pode ser mais prejudicial do que benéfico para os brasileiros.

Digamos que a FURIA não ganhe a DH Rio, ou mesmo que o torneio não dê certo em um aspecto de organização. A derrota em solo brasileiro pode ser um grande depressivo para a confiança, que está em alta na equipe. E infelizmente, mesmo sendo um dos favoritos, não temos 100% de garantia de que o nervosismo deste elenco novo, ao jogar perante sua torcida, não os afetará. Acredito que eles vão conseguir a vitória, mas a pressão pode fazê-los sucumbir a derrota.

Na pior das hipóteses, digamos que eles vão de mal a pior no torneio, nem ao menos participando dos playoffs. As possibilidades de que eles sejam chamados para DH Opens no mundo todo diminui consideravelmente. Mesmo a DH Open sendo um torneio que valoriza times locais e ao mesmo tempo considerados tier 3 e 2, a FURIA ainda não está completamente firmada nesta categoria.

Com ambas as situações acima sendo as piores possíveis, há um mal ainda pior que pode desencadear. O caso da FURIA nos Estados Unidos se assemelha mais com a situação da Team One do que equipes já estabelecidas como MIBR ou LG. O que isto quer dizer? Ora, isto significa que caso o ímpeto da FURIA e os grandes desempenhos sejam abalados pela DH Rio, eles podem se encontrar no mesmo “loop infinito” que se encontra a T1 atualmente, que está nos Estados Unidos há mais de um ano e não conseguiu chegar perto de protagonizar um evento de grande porte. Caso a FURIA caia de desempenho e fique estagnada no cenário americano, ainda há a possibilidade do elenco e organização retornarem ao Brasil.

Concluindo, acredito que a aposta pela DH Rio tem altos e baixos, mas o meu maior medo é o fantasma de um elenco brilhante se apagar caso não consigam o resultado esperado e assim ficarem presos em torneios menores que apenas sustentam o projeto e não o fazem subir no ranking mundial do CS:GO. A ESL Pro League S9 seria um pulo para o futuro da organização no ranking mundial, enquanto a DH Rio é uma grande jogada de marketing, aumento da fanbase e investimento local.



Autor

Analista, entusiasta e jogador de CS:GO. Jogador de Counter-Strike desde a versão 1.4, onde foi introduzido aos 8 anos de idade.

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