Batemos um papo com Willian Caldas, mais conhecido no cenário de CS:GO como Xamp, atual coach da Red Canids. Além de treinador, Xamp também é narrador e comentarista da ESL Brasil e da Gamers Club.

Willian possui larga experiência nos esports e já trabalhou em praticamente todos os ramos possíveis, de produção de conteúdo a competições a nível profissional. Portanto, falamos um pouco sobre a sua trajetória e sua opinião sobre o atual momento dos esportes eletrônicos.

Para quem ainda não o conhece, quem é o Xamp?

Sou um apaixonado por games que conseguiu abraçar diversas oportunidades e se tornou um faz tudo no CS:GO. Jogador, escritor, comentarista, analista, produtor de conteúdo e mais recentemente coach e narrador, exatamente nessa ordem.

Como tem sido a experiência de ser coach de uma equipe? De que forma você se preparou para isso?

A experiência tem sido muito gratificante, tenho evoluído muito meu lado pessoal e profissional. Não houve uma preparação específica, as coisas aconteceram naturalmente, mas a minha bagagem de já ter competido em diversos FPSs e meu conhecimento adquirido através de horas e horas assistindo a jogos e fazendo transmissões me ajudaram bastante.

Ainda sobre ser coach, como surgiu o convite para comandar a equipe da Red Canids e como tem sido a experiência?

Não foi feito um convite formal, as coisas foram acontecendo. Eu fiz uma amizade muito grande com o Woody e o LeoGOD desde o dia que nos conhecemos em um presencial em 2017. Passamos a jogar PUGs juntos, comecei a torcer por eles no competitivo e após uma grande pausa, ao decidirem voltar, eu estava lá ajudando no que era possível.

O trabalho tem acontecido de maneira tranquila, acredito que quando existe uma amizade além do profissional, há uma liberdade muito maior de criticar erros e ajudá-los a crescer.

O que na sua opinião falta para os times brasileiros terem maior êxito em campeonatos internacionais?

A única maneira de você evoluir o próprio jogo é jogando contra adversários mais fortes que você, portanto, para que as equipes consigam resultados melhores, elas precisam estar lá fora competindo com os melhores.

Quais são os seus objetivos como treinador para este ano?

A partir do momento em que assumi o projeto, eu caí de cabeça. Sempre fiz isso em todos os projetos da minha vida.

Sobre objetivos, não canso de repetir pros meninos que o principal objetivo da equipe é conseguir competir de igual para igual com as melhores equipes do Brasil. A partir daí, o resultado é consequência. Sem essa de precisamos ganhar o campeonato X ou Y.

Hoje, com cerca de 2 meses de time, conseguimos desafiar todo o top 10 nacional. Alguns jogos são mais fáceis, outros mais difíceis, mas todos nos respeitam como um grande adversário.

Você tem organizado alguma rotina de treino especial para a equipe?

Tenho um controle total de dias e horários, tudo planilhado para que todos os players tenham acesso e consigam a todo momento estarem atualizados do que está acontecendo.

Quais são os maiores desafios em ser um caster no Brasil?

Em questões de estrutura e qualidade dos eventos, recebemos um suporte incrível das empresas organizadoras. Acredito que o maior desafio é a constante inovação, fazendo com que o público se engaje cada vez mais e o mercado invista em novos projetos todos os dias.

E quais são as suas principais referências no cenário?

Minhas referências são o BiDa e o QeP aqui no Brasil, dois caras com quem pude ter um grande convívio, aprendendo bastante. Lá de fora, ainda que contestado, o Thorin e da TV são Octavio Neto, Silvio Luis e Rômulo Mendonça.

Hoje, já é possível viver de esports no Brasil?

Ainda que exclusivo para uma minoria, hoje é possível viver de esports no Brasil. Em algumas situações, se considerarmos horas de trabalho em comparação com um trabalhador CLT, às vezes se trabalha mais para ganhar o mesmo, mas é muito gratificante.

Você já enfrentou algum tipo de preconceito por trabalhar na área?

Já enfrentei alguns preconceitos do tipo “joguinho não leva a nada”. Mas com conversa e mostrando o que é feito e os resultados do trabalho, a gente reverte as opiniões uma a uma.

A MIBR é um dos ícones do CS:GO brasileiro e vem mostrado uma grande evolução nas últimas partidas. Acredita que o time finamente se encontrou?

Espero que finalmente o time tenha voltado com toda a mentalidade que o mundo os conheceu e não seja apenas um desempenho individual estrondoso do FalleN.

Porém, com o FalleN confiante, sinto ele com mais facilidade de leitura do adversário e consequentemente os rounds ficam mais fáceis para equipe. É um círculo virtuoso em que tudo passa a dar certo.

Qual é a sua expectativa para a reta final do ano, se tratando do cenário internacional?

Acredito que a MIBR e as demais equipes brasileiras lá de fora estão em uma curva de ascensão. Já ultrapassamos a má fase e até o final do ano com certeza algum grande título virá.

A BLAST vem chamando a atenção pelo seu formato e espetáculo em cada evento realizado. Acredita que ela possa se tornar o maior campeonato do cenário internacional?

A BLAST é um bom campeonato. Tem seu lado positivo, que sempre une o top 6 mundial, tendo apenas jogos de alto nível de disputa, mas não é nem de longe o melhor evento de CS. Precisa remar muito ainda pra alcançar ESL One, IEM, DH Masters e os Majors, se é que um dia alcançará.

Deixo agora o espaço livre para você falar com seus fãs e seguidores.

Agradeço a oportunidade dada pelo The Clutch em expor meu trabalho, à todo o público que me apoia e dá forças para continuar trabalhando com o que eu mais amo fazer, vocês são pessoas especiais e sempre estarei disponível para conversarmos e nos conhecermos em eventos!

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