Em entrevista exclusiva ao The Clutch, conversamos com o coach da Redemption POA, Carlos “CeV” Picinato, que atualmente está liderando o CBCS Season 1 junto a sua equipe.

Para o pessoal que está começando agora no CS:GO, quem é o CeV?

CeV é um cara de 30 anos que atualmente estuda direito e que sempre gostou de jogos. Comecei como coach no Battlefield 4 há 3 anos e de uns 2 anos e meio pra cá, resolvi estudar mais e entrar no cenário de CS e hoje sou coach da Redemption.

Quais são as maiores dificuldades para ser um coach no Brasil hoje?

Hoje já não tem tanta dificuldades assim, mas alguns anos atrás, tive passagens por times que nem salário tinha. Coach era uma profissão que não era valorizada, bem diferente de hoje em dia. Posso falar por todos que eu conheço que hoje temos uma condição de trabalho muito boa, onde podemos nos dedicar o tempo inteiro apenas para o CS.

Como você monta a rotina de treinos e qual é exatamente o seu papel?

Basicamente, eu divido em 3 blocos, que envolvem a parte tática, como escalação do mapa que a gente vai estudar durante a semana. Quanto ao anti-tático, nós não treinamos muito, pois eu prefiro estruturar e preparar meu time para aprender a se adaptar durante o jogo.

O segundo bloco é o pré-jogo que eu faço junto com o psicólogo da Redemption, onde nós conversamos sobre a partida e trabalhamos o motivacional.

O terceiro bloco é o pós-jogo, que a gente vê os erros e os acertos depois de cada partida. Na minha opinião, acredito que esses três blocos são os pilares para qualquer coach começar o seu trabalho em uma equipe.

Existe algum jogador ou profissional de esports que você se espelha em relação a trabalho e táticas?

Como referência dentro dessa carreira, tive contato com o gio desde o início aqui no Brasil e inclusive foi a primeira pessoa que eu tive contato dentro do CS:GO também. Eu vejo muito o trabalho de coaches de fora, mas hoje um cara que eu tenho muita admiração pelo trabalho é o Apoka, coach da INTZ, acho que temos coisas em comum, como por exemplo o cuidado com os jogadores do nosso time.

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Acredita que campeonatos como o CBCS trarão uma maior profissionalização dentro da categoria dos esports?

Acho que sim, não só com o CBCS mas como outras iniciativas que temos no cenário atualmente. Vejo que isso só ajuda no crescimento do cenário nacional. O CS brasileiro era muito defasado, não tinha muito essa parte da profissionalização e não tinha tanta estrutura.

O CBCS veio com uma visão completamente diferente. Jogos presenciais, premiação boa e vaga em campeonato lá fora, nós temos esses privilégios quando se trata de profissionalização do cenário, isso vem só pra somar.

Como você a estrutura do CBCS?

A estrutura está fantástica. A cada rodada vem uma novidade, eles escutam muito bem os feedbacks que nós damos, nossas demandas são atendidas muito rapidamente.

A equipe de vocês está em primeiro lugar e a vibração dos jogadores é algo que vem chamando muito a atenção. Isso tem ajudado o time a querer evoluir cada vez mais?

Acho que isso mostra a sinergia que o grupo está. Hoje a gente sabe que um pode contar com o outro dentro do time, isso faz muita diferença dentro do servidor. Em um dos jogos, contra a SkullZ, começamos perdendo de 4-0, mas o time se manteve calmo e conforme a gente buscou o placar no lado CT, o time aumentou as comemorações e até a parte das provocações, já que isso também faz parte do tático, até mesmo quando outro time utiliza disso contra a gente. Estamos trabalhando isso para poder conquistar os bons resultados ao longo da competição.

Quais são os times que vão brigar pelo topo até o final?

Acredito que a Imperial tem um time muito bom, principalmente no talento individual, além da Team Reapers, que eu vejo forte também. Pra mim são as duas equipes que vão brigar com a gente até o final da competição.

E qual jogador pode ser a grande revelação do CBCS?

Pra mim, o remix é um cara que tá despontando muito, além como o brutt da Reapers, dumau da Imperial e detr0it da INTZ. Estes são os destaques positivos do campeonato e são nomes que estão crescendo aí no cenário nos últimos tempos.

Em relação às mudanças que vêm acontecendo nos times brasileiros, como você avalia essas contratações e como isso afeta o projeto de longo prazo?

Acho que a mudança acaba sendo necessária. Chega uma hora que o time precisa mudar para poder progredir, eu mesmo na Redemption troquei 4 players para chegar na line que está atuando hoje. Essas mudanças nas outras equipes vão causar muito impacto no cenário em relação a ranking e haverão muitas novidades nessas novas equipes que estão se formando. Acho que a longo prazo o resultado pode ser bastante positivo.

Não tem como não citar a MIBR quando se trata do mercado de transferências. Na sua opinião, qual seria a melhor aquisição para o time?

kNg sem dúvidas é a melhor opção pra MIBR. Ele é um cara que vibra muito na partida, é algo que traz confiança pro time. Isso era uma coisa que eles tinham tempos atrás, mas que acabou se perdendo hoje em dia, o que explica os maus resultados que eles vêm tendo. Mas, creio que o kNg traga essa força e garra que a MIBR precisa e com isso, ver o time despontando novamente no cenário internacional.

Me diga a sua equipe dos sonhos.

Na minha opinião, os 5 jogadores que eu queria treinar, são exatamente os jogadores que estão agora na Redemption, pois são players que se encaixam perfeitamente e é o time que eu quero estar junto para conquistar tudo.

O The Clutch agradece a você pela entrevista e ao tempo que você nos cedeu. Gostaria de deixar um recado para alguém?

Quero agradecer o The Clutch pela oportunidade, a família dos players da Redemption que estão dando um apoio bem bacana, ao pessoal que torce e acompanha a gente nas streams e no Twitter, pois é bem importante esse apoio e que está fazendo a diferença para a gente em cada partida, valeu!

 

Foto de capa: CBCS

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