As diferenças dos circuitos aberto e fechado nos esports

Divulgação/ESL

A propagação do cenário competitivo de esporte eletrônico nos últimos tempos ajudou a levantar uma das principais dúvidas e discussões entre os torcedores: qual a grande diferença entre circuito aberto e fechado e qual é o melhor?

Para apimentar ainda mais as conversas, uma publicação feita pela Valve no fim do mês passado voltou a trazer o tema à tona. Na época, a empresa afirmou por meio de um comunicado que “neste momento não estamos interessados em providenciar licenças para eventos que restringem times de atender outros eventos”, dando um balde de água fria nas pretensões da ESL de criar um circuito fechado no CS:GO.

A mensagem que a Valve estava passando para as principais organizadoras de campeonatos de Counter-Strike era de que a publisher não está interessada em fechar o circuito de CS:GO e nem que outras empresas façam isso.

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Afinal, qual a diferença?

Para explicar em termos práticos a grande diferença entre circuito aberto e fechado, esse que vos escreve vai usar dois dos principais jogos competitivos. Counter-Strike e League of Legends são os melhores exemplos, tendo em vista que um utiliza o circuito aberto na sua forma nua e crua (CS:GO), enquanto o outro corresponde ao que basicamente representa o circuito fechado (LoL).

Entretanto, ainda assim é preciso entender que dentro do circuito fechado, por exemplo, existem variações de formato. Mais um exemplo real será utilizado para ilustrar a situação. No caso, trata-se do Call of Duty. Enquanto o LoL possui competições regionais divididas por todo o mundo, o CoD possui uma competição realizada por temporada, e em seguida os playoffs.

Além disso, dentro do circuito fechado ainda há a ausência ou presença de rebaixamento regionais. No próprio League of Legends há o CBLoL, onde as equipes podem cair de divisão ao fim de cada temporada, e a LCS (região norte-americana), em que as mesmas equipes vão sempre disputar o campeonato, a menos que vendam a sua vaga.

O segundo formato é semelhante ao do futebol americano da National Football League (NFL), nos Estados Unidos. Enquanto isso, o CBLoL seguiria os padrões do nosso Campeonato Brasileiro.

Circuito aberto

  • Liberdade na criação de campeonatos
  • Campeonatos independentes
  • Equipes criam a própria agenda

Tendo isso em vista, vamos adiante. O circuito aberto permite que outras empresas, sem ser a desenvolvedora, se juntem e organizam campeonatos de forma independente. Esse é o caso de grandes competições de CS:GO, como as da ESL, de BLAST Pro Series e as DreamHacks. Há também espaço para competições menores como OMEN Challenger Series e ZOTAC.

Entretanto, não é apenas o Counter-Strike que conta com um circuito aberto. Outros jogos com cenários competitivos gigantes também fazem parte do grupo, como o Dota 2, que apesar de possuir o controle da Valve, está aberto para receber competições organizadas por outras empresas.

Assim, entende-se que as equipes se sintam mais “independentes” para gerenciar a própria agenda e participar de diversas competições ao longo do ano. Por isso, é comum ver equipes tradicionais como a MIBR participando de uma competição menor como a ZOTAC, ou até mesmo um time de menor ranking sendo convidado para uma competição de alto nível.

Circuito fechado

  • Publisher cria os campeonatos
  • Calendário fixo
  • Equipes não tem “liberdade”

Exatamente o oposto, o circuito fechado impede que as equipes participem de competições organizadas por outras empresas senão aquelas que gerem o jogo. Dessa forma, todas as competições de League of Legends estão sob o controle da Riot. Mundial, MSI, LPL e até mesmo o CBLoL passam pelo crivo da empresa responsável pelo MOBA.

Flamengo brilha no cenário nacional, mas não no exterior. (Divulgação/Flamengo)

Apesar das diferenças, a essência é a mesma para competições de Call of Duty. Atualmente, a Activision anunciou a Call of Duty League, seguindo um novo sistema de franquias semelhante ao de Overwatch, da Blizzard. A ideia dessas ligas é que as equipes participem de apenas uma grande competição. Caso haja mais de uma competição, a publisher do jogo tem o total poder de intervir diretamente, seja no campeonato ou seja em uma equipe.

Sendo assim, as organizações jogam apenas um único campeonato ou liga durante todo o ano, diferentemente do CS:GO, onde equipes como a MIBR jogam até três ligas diferentes (ECS, ESL Pro League e BLAST Pro Series).

Surgimento de novas equipes

Outro ponto relevante na discussão entre circuito aberto e fechado fica por conta do surgimento de novas equipes. Nesse caso, independentemente do jogo, a regra é basicamente a mesma. Para exemplificar, utilizarei o comparativo entre Call of Duty e Counter-Strike.

CoD é um dos melhores exemplo de como funciona o sistema de franquias, utilizado nos circuitos fechados. Assim como já publicado no The Clutch, a Activision anunciou a Call of Duty League, que vai contar com a participação de 12 equipes.

No entanto, para que cada organização participe da competição é necessário comprar uma vaga, direto com a Activision. E é nesse ponto que entra a maior desvantagem para as novas equipes/organizações, que é o alto valor envolvido das franquias. De acordo com a ESPN, a quantia paga para comprar uma vaga na competição de Call of Duty foi de US$ 25 milhões, o que basicamente impede que organizações menores surjam no cenário.

E é justamente por isso que o sistema aberto, como é o caso do CS:GO, acaba sendo mais atrativo para a maioria dos times. Sem necessidade de desembolsar altas quantias de imediato, fica muito mais viável para uma organização menor se estruturar a ponto de “começar do zero” e estourar no mundo, como foi o caso da brasileira FURIA.

É também graças a essa estrutura que bons jogadores conquistam espaço no cenário, a ponto de chamarem a atenção de uma organização com um poder aquisitivo um pouco mais alto e começarem a competir no mais alto nível. Campeonatos menores acabam fomentando e mantendo também as competições maiores.

Mas o que muda para os esports em geral?

Em teoria, não muita coisa. Na prática, tudo. Na teoria, as equipes continuam se enfrentando, os torneios continuam acontecendo e o jogo ainda é apaixonante para os fãs. Entretanto, na ponta do lápis, as diferenças são grandes, principalmente em relação à organização e nível técnico.

Partindo do princípio que no circuito fechado as equipes vão possuir mais regularidade durante os anos de competição, as organizações afirmam que o contrato firmado com a desenvolvedora dá mais segurança para que seus times trabalhem, pois o calendário fixo facilita os treinamentos e o faturamento garantido possibilita planos de longo prazo.

Em contraponto, o League of Legends no Brasil, por exemplo, acaba se tornando o melhor exemplo de como esse sistema pode prejudicar todo um ecossistema. Assim como o Flamengo Esports, todas as outras equipes brasileiras que foram para o Mundial de League of Legends sequer conseguiram passar da primeira fase.

De acordo com alguns analistas, isso acontece porque os times brasileiros jogam apenas entre si e chegam despreparados e fora do “meta” na competição mais importante do ano. Assim, acabam não acompanhando o desenvolvimento do jogo das regiões mais fortes.

Do outro lado da moeda há o Counter-Strike, onde não é incomum ver equipes de regiões sem tradição “trocando tiro” e conseguindo boas apresentações em campeonatos realizados no exterior. A intensa troca de informações entre países e times aumenta ainda mais a possibilidade de crescimento do nível técnico das equipes e dos jogadores.

FURIA se planejou e chegou ao topo do cenário. (Reprodução/HLTV)

Um ótimo exemplo disso é a brasileira FURIA, que começou jogando no Brasil, foi para os Estados Unidos e após um ótimo período de conquistas, alcançou o top 5 mundial.

Apesar de também termos exemplos de sucesso em jogos que utilizam o circuito fechado, com a Liquid sendo campeã mundial de Rainbow Six em 2018, ainda assim as equipes têm dificuldades de elevar o seu nível técnico, sendo os Cavalos um ponto fora da curva na região.

Portanto, o circuito fechado acaba sendo benéfico para as organizações, times e jogadores, já que possuem total suporte da desenvolvedora e podem fazer planos de longo prazo melhor. Porém, ele limita o nível técnico de certas regiões.

Já o circuito aberto possibilita que qualquer time ou organização chegue ao topo, mas exige muito mais planejamento, persistência e por consequência, gera mais incerteza para seus participantes. Por outro lado, o nível técnico de diversas regiões é altíssimo e não é incomum ver “zebras” acontecerem, o que garante um espetáculo a mais para os fãs.

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