Em uma longa entrevista ao site HLTV.org, o CEO da CR4ZY, Antonio Meic, revelou informações interessantes sobre o atual cenário de Counter-Strike. De acordo com o empresário, a ESL estaria planejando, em conjunto com a Valve, a criação de uma liga baseada em franquias. O formato, que já existe em diversos outros jogos, como League of Legends e Overwatch, vem sendo tema de debate há anos na comunidade.

Ele também afirmou que o custo atual de um time profissional como o dele varia entre 500 a 750 mil euros (algo entre 2 a 3 milhões de reais) anuais e que ouviu rumores de que coldzera poderia se juntar a 100 Thieves pelo preço de 1 milhão de dólares.

Sistema de franquias

Segundo Meic, as discussões para a implantação de um sistema de franquias no CS:GO estão acontecendo entre a ESL, a Valve e o sindicato dos jogadores (CSPPA). O CEO afirmou que o preço de uma franquia custará 2 milhões de dólares e que a discussão está avançada nos Estados Unidos, porém ainda devagar na Europa. No entanto, ele criticou o envolvimento da ESL na parceria:

Penso que uma liga com suporte da Valve e com um preço de entrada faria sentido, mas apenas se a Valve soubesse como fazer seu trabalho. Se eles deixarem o trabalho para a ESL, para quem vou pagar a entrada de $ 2 milhões, para a ESL? Não vou pagar 2 milhões à ESL por nada, porque que tipo de patrocínio eles trarão para as equipes, como serão os negócios e com que rapidez podemos recuperar o custo de compra de uma franquia local?

Ainda na mesma resposta, Meic afirmou que o CS é igual ao “Velho Oeste”, onde “os jogadores são reis e as organizações estão em uma posição muito ruim, pois muitos patrocinadores não querem apoiar um jogo de tiro”. Daí que vem a importância de um sistema de franquias. A visão do empresário é apoiada por outros.

Em uma entrevista recente ao site francês 1PV, o CEO da Vitality afirmou que “nenhuma organização ganha dinheiro com o seu time de CS:GO”, também mostrando seu descontentamento com o atual cenário profissional.

Dificuldades de arrecadação

Meic revelou também na entrevista como funciona a questão de arrecadação de dinheiro dos jogadores junto as suas organizações:

Se você olhar pelo ponto de vista do fluxo de caixa, é muito difícil. O CS é um jogo em que os jogadores são a prioridade número um. A maioria dos premiações é destinada aos jogadores, a maioria do dinheiro dos adesivos é destinada aos jogadores, portanto, as organizações são basicamente dependente de acordos de conteúdo e dinheiro de patrocínio.

Apesar da dificuldade em gerar faturamento, o CEO disse que este ano, sua organização está conseguindo manter um caixa positivo:

Até o momento está funcionando bem para a gente, porque no início do ano, quando falamos ‘Ok, vamos focar apenas em esports’, a gente vêm tendo, pelo menos na perspectiva de investimento, um fluxo de caixa positivo. Não está faltando nada.

Custo para se manter uma organização e quase falência

Com cerca de 16 funcionários, que incluem além dos jogadores e técnico, um time de conteúdo, um gerente de negócios e um gerente de marketing, o valor dado por Meic para que sua empresa funcione é algo entre 500 a 750 mil euros anuais, que equivalem a cerca de 2 a 3 milhões de reais.

Sem dizer o salário de seus jogadores, o CEO afirmou que desde o início da organização, nunca atrasou o pagamento de um mês e que as suas dívidas atuais são relacionadas a distribuição de premiações de torneios. A CR4ZY está devendo cerca de 20 mil euros a ex-jogadores.

Ele também revelou que em 2018, a empresa quase foi a falência por falta de investimentos e de faturamento, quando decidiu deixar o ramo de produção de conteúdo para jogos mobile e focar totalmente nos esportes eletrônicos:

Com a nossa decisão de focar totalmente nos esports, nossa receita foi muito afetada. Perdemos 90% da receita de produção de conteúdo e foi aí que a maioria dos problemas começaram a ocorrer. Isso aconteceu lentamente, durante um período, e em algum momento no verão de 2018, não tínhamos o apoio de nossos investidores, devido a outros motivos, e tivemos esse período em que por quase metade de um ano, estávamos correndo atrás da nossa própria receita, tentando fazer tudo funcionar. Passamos por várias experiências de quase morte, onde a empresa estava prestes a falir, mas basicamente fizemos o possível para que isso não acontecesse, porque nossa dívida com todos os nossos parceiros e jogadores seria significativa.

Coldzera e 100 Thieves

Quando questionado sobre venda de jogadores, Meic deu valores bastante reveladores. Ele disse que o preço de profissionais não muito famosos mas que são bons varia entre 50 a 250 mil euros e que as estrelas do jogo podem chegar a 1 milhão de euros.

Sobre coldzera, o empresário disse que ouviu rumores de que o brasileiro estaria se unindo a 100 Thieves por um milhão de dólares. Ele disse que sabe que a 100T tem o dinheiro para pagar o preço, mas não sabe se eles realmente farão isso.

Semana passada, o CEO da organização, Nadeshot, disse estar extremamente empolgado em entrar para o cenário de CS:GO e montar uma equipe campeã:

“Estou muito animado em entrar para o CS:GO e montar uma equipe campeã. Estamos voando para Berlim na próxima semana para a conclusão do Major com o objetivo de contratar jogadores que estão com vontade em construir um legado vencedor aqui na 100 Thieves. Vamos ao trabalho!”

É sabido também que coldzera está na Europa durante o Major para avaliar propostas e que um de seus destinos prováveis pode ser a FaZe Clan, de seu grande amigo NiKo.

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